A necessidade dos homens valorosos


Toda ação humana ocorre por desejo. Desejo é termo relacional, que envolve por um lado a paixão de quem se vê impelido a estender-se na direção de algo, por outro lado o objeto da ação de estender-se, ou seja, envolve sempre o desejante e o desejável. Entre os dois, é preciso haver o que poderíamos chamar de concepção, que é o fruto da percepção e da imaginação, estabelecida segundo o sujeito que observa o objeto e, portanto, segundo aquilo que no objeto há de atraente ao sujeito. Sendo assim, desejo e concepção são os dois elementos fundamentais a qualquer explicação do principio interno que nos move a agir.


O mais interessante está em que, sendo o desejo um impulso a algo que se percebe e se concebe no mundo, é fácil entendermos como um objeto determinado pode atrair nossa atenção e vontade. Mas de que modo podemos desejar, por exemplo, a justiça, dado que não é possível percebê-la por aí? 'Agir justamente' deve ser para nós uma possibilidade tanto quanto a de agir em vista de possuir uma coisa que se fez desejada. Mas se neste caso temos o objeto do desejo, naquele o objeto não está dado à percepção: ele pode surgir como desejável quando vemos outros homens 'agindo justamente', e que nos servirão, portanto, de exemplo ou modelo para o desejo da justiça. Porque os valores humanos só são desejáveis a partir do exemplo dos que os realizam.


A questão mais importante, então, está em que a educação para os valores humanos depende, necessariamente, da existência de homens de valor, ou corremos o risco de ver os valores nos serem insistentemente indesejáveis. Se é assim, a pergunta ética e pedagógica por excelência deve ser sempre esta: quem são os nossos modelos de seres humanos? A virtude que eles tornam desejável é, talvez, o único caminho para que nós nos tornemos igualmente virtuosos. Parafraseando o conhecido ditado -- mostre-me teus modelos, e eu te direi quem serás.

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